Entre os dias 7 e 10 de julho, tirámos finalmente alguns dias para fazer uma viagem que já ansiávamos há muito tempo, os Picos da Europa. Foram poucos dias e sabíamos à partida que não iríamos ver tudo, mas o que vimos foi mais do que suficiente para nos deixar de boca aberta.
As paisagens são simplesmente impressionantes, daquelas que ficam na memória e nos fazem parar a mota só para apreciar. Infelizmente o tempo foi curto, mas ficou a certeza de que esta não será a última vez. Voltaremos aos Picos da Europa, com mais calma, mais tempo e muitas mais curvas para descobrir.
Dia 1 | Chaves - Riaño
07 de Julho de 2024 - 345 kms
Saímos de Chaves bem cedinho, com aquela vontade típica do primeiro dia de viagem, estrada pela frente e zero pressa para chegar. À medida que nos aproximávamos de Riaño, as paisagens começavam a ficar cada vez mais impressionantes, com boas curvas, montanhas verdes e vistas que nos obrigavam a abrandar só para apreciar.
Riaño é uma vila pequena mas cheia de encanto, situada junto à barragem que dá nome à localidade. A albufeira, rodeada pelas montanhas dos Picos da Europa, cria um cenário simplesmente incrível, daqueles que ficam gravados na memória. A estrada à volta da barragem é um verdadeiro prazer para quem viaja de mota, com vistas abertas e um ambiente de pura tranquilidade.
Para o almoço escolhemos o restaurante Parrilla El Molino e foi, sem dúvida, uma excelente decisão. A quantidade de comida que nos serviram dava perfeitamente para cinco ou seis pessoas, tudo muito bem servido e saboroso.
Ao final da tarde fizemos o check-in no Hotel Tierra de La Reina, um hotel bastante simples, mas muito aconchegante e perfeito para descansar depois de um dia de estrada. Aproveitámos o resto da tarde na explanada do hotel, a apanhar um pouco de sol e a relaxar. Com o almoço reforçado que tínhamos feito, jantar acabou por não ser necessário.
Assim terminou o nosso primeiro dia de viagem, com muitos quilómetros nas pernas, paisagens incríveis na cabeça e a certeza de que a escolha dos Picos da Europa tinha sido mais do que acertada.
Dia 2 | Riaño - Cangas de Onis
08 de Julho de 2025 - 200kms
Começámos o dia com o pequeno-almoço no hotel e saímos cedo de Riaño rumo à nossa primeira paragem, Fuente Dé. Mal descemos da mota percebemos que o frio não estava para brincadeiras, por isso nada melhor do que beber um ColaCao, para aquecer um pouco antes de seguir caminho.
Em Fuente Dé existe o conhecido teleférico, que sobe quase na vertical até ao miradouro de El Cable, a mais de 1800 metros de altitude. Lá de cima dizem que as vistas são absolutamente incríveis sobre os Picos da Europa. No entanto, não foi uma aventura em que nos metemos, até porque a quantidade de pessoas à espera para subir era enorme e preferimos aproveitar o tempo de outra forma. Mesmo cá em baixo, as vistas já são lindíssimas e impressionam qualquer um.
Seguimos depois para o Monasterio de Santo Toribio de Liébana, um local carregado de história e espiritualidade, considerado um dos lugares santos do cristianismo. O ambiente é calmo e o enquadramento natural torna a visita ainda mais especial.
A próxima paragem foi Potes, uma vila cheia de vida, ruas em pedra, pontes medievais e um ambiente muito acolhedor. É daqueles sítios onde apetece parar, caminhar sem rumo e simplesmente absorver o ambiente local.
Continuámos em direção ao desfiladeiro de La Hermida, uma estrada espetacular, encaixada entre montanhas imponentes, com o rio a acompanhar-nos durante boa parte do percurso. Para quem anda de mota, esta é uma daquelas estradas que ficam na memória, tanto pelas curvas como pelas paisagens.
Ainda antes do almoço passámos por Panes, uma pequena localidade tranquila, perfeita para uma paragem rápida e para esticar as pernas antes de seguir viagem.
Almoçámos em Las Arenas, no restaurante El Buen Llantar del Picu Urriellu, onde optámos por um almoço ligeiro. Quem anda de mota sabe bem que barriga cheia e muitas curvas não combinam muito bem, por isso a escolha foi acertada.
Depois do almoço seguimos ao longo do rio Cares, por entre montanhas e paisagens absolutamente deslumbrantes, até ao funicular de Bulnes. Toda esta zona é de uma beleza impressionante, com estradas estreitas, verdes intensos e vistas que nos fazem querer parar a cada quilómetro.
Ao final da tarde chegámos finalmente a Cangas de Onís, ainda cheios de energia e vontade de continuar a explorar. Deixámos as coisas no hotel e seguimos para Covadonga, um dos locais mais emblemáticos da região.
Visitámos a Basílica de Santa María la Real de Covadonga, imponente e rodeada por um cenário natural único. Passámos também pelo Museo del Real Sitio de Covadonga, onde é possível conhecer melhor a história e a importância deste local, e pelos Leones de Covadonga, símbolos marcantes da entrada do recinto.
Já ao início da noite regressámos a Cangas de Onís para jantar no restaurante La Joquera, onde comemos muito bem e fechámos o dia da melhor forma. Cansados, mas orgulhosos do dia, voltámos para o Hotel Avelina, onde passámos a noite.
Foi um dia intenso, cheio de quilómetros, visitas e paisagens inesquecíveis, daqueles que nos lembram exatamente porque adoramos viajar de mota.
Dia 3 | Cangas de Onís – León
09 de julho de 2024 – 205 kms
O terceiro dia começou em Cangas de Onís, com a sensação agridoce de quem sabe que a viagem está a chegar ao fim. Ainda assim, havia estrada pela frente e alguns pontos que queríamos muito conhecer antes de chegar a León.
Depois de sairmos de Cangas de Onís, fizemos uma paragem no Museo de la Siderurgia y la Minería de Castilla y León. A visita acabou por ser uma agradável surpresa. O museu retrata a importância histórica da mineração e da indústria siderúrgica na região, mostrando de forma clara e interessante como estas atividades moldaram a vida das populações locais durante décadas. É um espaço bem organizado, que nos faz perceber melhor a ligação profunda entre estas terras, o trabalho duro e o desenvolvimento da região.
Seguimos depois em direção ao almoço e parámos no Bar Camping Las Hoces. Um sítio simples, muito tranquilo e rodeado de natureza, perfeito para uma pausa sem pressas. Comemos umas hambúrgueres surpreendentemente boas, bem servidas e cheias de sabor. Um daqueles sítios que não impressiona à primeira vista, mas que recomendamos sem hesitar, sobretudo pelo ambiente calmo e pela localização no meio do verde.
De barriga cheia, continuámos a viagem até ao desfiladeiro de Vegacervera. A estrada até lá já vale a visita, mas o desfiladeiro em si é simplesmente impressionante. As paredes de rocha elevam-se abruptamente de ambos os lados, criando um cenário dramático e poderoso, daqueles que nos fazem sentir pequenos perante a natureza. É mais um daqueles lugares onde apetece parar, tirar o capacete e ficar só a olhar.
Ao final da tarde chegámos a León, onde ficámos hospedados num Airbnb mesmo na Plaza Mayor, uma localização perfeita para explorar a cidade a pé. Depois de nos instalarmos, fomos conhecer a praça, onde aproveitámos para beber uns bons cocktails e absorver o ambiente descontraído da cidade.
Seguimos depois para a imponente Catedral de León, que impressiona não só pela sua dimensão, mas também pela leveza e pela luz que entra através dos vitrais. Passear pelo centro histórico faz-se muito bem a pé, ainda para mais com pouca confusão, o que tornou a visita ainda mais agradável. Aproveitámos também para visitar algumas lojas locais e foi aqui que acabámos por comprar o famoso queijo azul que já quase tinha vindo na nossa cabeça desde Cangas de Onís.
Para jantar escolhemos o La Mafia se sienta a la mesa, um restaurante que já conhecíamos de uma visita anterior a Zamora. É um restaurante relativamente bom, com um serviço rápido, exatamente o que procurávamos depois de um dia longo de estrada e visitas.
Já bastante cansados, o único plano que restava era descansar. Voltámos ao Airbnb com a cabeça cheia de memórias e a consciência de que no dia seguinte seria o regresso a casa. Assim terminou o nosso terceiro dia, mais tranquilo, mas ainda assim cheio de descobertas e paisagens que ficam connosco.
Dia 4 | León – Chaves
10 de julho de 2024 – 255 kms
O último dia da viagem começou em León com um sentimento misto de satisfação e nostalgia. Já não havia grandes planos nem desvios a fazer, apenas o regresso a casa, aproveitando calmamente os últimos quilómetros desta aventura pelos Picos da Europa.
A viagem decorreu de forma tranquila, com a cabeça ainda cheia das paisagens, das estradas e dos momentos vividos nos dias anteriores. Foram 255 quilómetros sem pressas.
Chegar a Chaves, a nossa cidade, soube especialmente bem. Para fechar a viagem da melhor forma, fomos almoçar uma picanha simplesmente incrível ao restaurante Pizzaria Itália. A carne estava no ponto certo, muito saborosa e acabou por ser o encerramento perfeito para estes dias fora.
Assim terminou a nossa viagem aos Picos da Europa. Foram poucos dias, mas intensos, cheios de paisagens impressionantes, boas estradas, boa comida e a certeza de que este é um destino a que queremos voltar.
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