De Chaves à Galiza: Uma Rota pelo Norte de Espanha

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 21:00

Em junho de 2024, decidimos finalmente tirar uns dias para algo que há muito adiávamos: uma viagem sem pressas, ao sabor da estrada, na nossa KTM 1290 (Pronta para Tudo: A Nossa KTM 1290 Super Adventure T). Partimos de Chaves a 22 de junho de 2024 com a vontade de explorar o norte da Galiza, uma região onde o mar, a natureza e a cultura andam lado a lado. Foram oito dias de estrada que nos deixaram lembranças inesquecíveis e experiencias que guardaremos sempre.

Como já passou mais de um ano e meio desde esta aventura, algumas memórias escaparam-nos, nas vamos contar-vos tudo o que nos lembrarmos.

Dia 1 – De Chaves a Pontevedra

22 de junho de 2024 - 196km

O nosso primeiro dia de viagem começou com a emoção de apanhar estrada com destino a Pontevedra. Almoçámos perto do fim do percurso num restaurante cujo nome não lembrámos, estávamos completamente varridos de fome. Mas lembramo-nos bem do churrasco de vitela e das tartes de queijo que estavam incríveis. 

Chegámos ao nosso airbnb em Fontenla e aproveitámos o resto do dia para descansar. No início da noite, seguimos a dica do nosso anfitrião e fomos petiscar à Cafeteria Ansende, a poucos metros do Airbnb. Cada copo dava direito a uma tapa e o Alvarinho estava espetacular. A tortilha de batata deles então… perfeita. Não havia maneira melhor de terminar esta primeiro dia de viagem.

Dia 2 - Pontevedra - Portonovo - Pontevedra

23 de junho de 2024

Saímos do nosso Airbnb em direção ao Porto de Portonovo, onde iríamos apanhar o barco para a ilha de Ons. Depois de levantarmos os bilhetes que já tínhamos comprado online, ainda tivemos tempo para tomar um colacao no restaurante Mercado do Peixe de Portonovo, que não podia faltar.
Apanhámos então o barco para a ilha de Ons e, assim que desembarcámos, fomos recebidos por uma vista fantástica. Tal como esperado, a ilha estava cheia de gente, por isso decidimos seguir por caminhos de terra e pedras durante cerca de 30 minutos à procura de uma praia mais tranquila. Acabámos por encontrar uma praia praticamente deserta, que percebemos depois ser uma praia de nudismo, algo bastante comum em Espanha. Claro que não praticámos nudismo.
Levávamos mochilas com comida para fazer um piquenique, que acabou por ser interrompido por algumas gaivotas esfomeadas, mas no fim correu tudo bem. A temperatura estava amena e a água do mar bastante agradável, o que nos permitiu aproveitar bem o dia. No regresso ao barco ainda comprámos um gelado pelo caminho.
Já a meio da viagem de volta, o Alexandre lembrou-se que tinha deixado o GPS na mota, o que tornou o resto da viagem bastante angustiante. Assim que chegámos, foi uma corrida até à mota, onde felizmente o GPS ainda estava. De volta à nossa estadia já cansados aproveitamos para jantar por casa.

Dia 3 - Volta pela Costa norte

23 de junho de 2024 - 273 km

O terceiro dia foi dedicado a uma volta pela costa norte da região. Foram 273 quilómetros de estrada, sempre acompanhados por paisagens bonitas e muito variadas. A costa espanhola nesta zona surpreende pela forma como o verde da serra se mistura com o azul do mar, com estradas sinuosas, pequenas aldeias costeiras e miradouros que pedem paragens constantes, mesmo que não estejam planeadas. Foi um dia feito para andar devagar e aproveitar a estrada.

Uma das paragens foi no miradouro da Curota, onde fizemos um piquenique e aproveitámos para apreciar a vista com calma. O local estava cheio de vida, com vários animais à solta, o que tornou a paragem ainda mais interessante. Era domingo e só aí nos lembrámos de que, por estas zonas, praticamente tudo fecha ao domingo. Infelizmente não tínhamos comprado comida no dia anterior, mas a sorte esteve do nosso lado e acabámos por encontrar algumas bombas de combustível com minimercado, que nos salvaram o almoço.

Ao final do dia, fomos jantar ao restaurante Bruselas, recomendado pelo nosso anfitrião. Comemos muito bem. Os ovos rotos estavam deliciosos, os calamares incríveis, o atendimento foi muito bom e o ambiente bastante agradável. Depois do jantar, regressámos para descansar e preparar o dia seguinte, que seria o último nesta zona.

 

Dia 4 - Vigo e Combarro

25 de junho de 2024 - 273km

Neste dia fomos até Vigo. Começámos pelo Castro de Vigo, onde visitámos o Castelo do Castro e o Parque Monte do Castro. Para além da importância histórica, este é um excelente ponto para ter uma vista ampla sobre a cidade e o mar. Vale a pena a subida, nem que seja só para apreciar a paisagem e perceber melhor a dimensão de Vigo.

Depois seguimos pela avenida beira-mar, uma zona agradável para passear e ver o movimento da cidade junto à água. Aproveitámos também para visitar a loja Motoelite, uma paragem quase obrigatória para quem gosta de motos, nem que seja só para ver o material e perder algum tempo.

Para o almoço escolhemos o Berty’s Burger, em Vigo. A comida era bastante boa, o atendimento muito simpático e foi uma ótima escolha. Recomendamos sem dúvidas.

Da parte da tarde fomos até Combarro, uma vila típica e muito bonita. As ruas estreitas, os espigueiros junto ao mar e o ambiente geral fazem com que valha muito a pena a visita. Os gatos espalhados pela vila fazem parte do cenário e dão ainda mais charme ao local. Apanhámos também a feira, onde havia imensas coisas para comprar, desde artesanato a produtos locais, sendo fácil perder a noção do tempo a passear por ali.

Já bastante cansados, regressámos ao airbnb e optámos por jantar em casa. Aproveitámos ainda para arrumar as nossas coisas, já que no dia seguinte uma casa nova nos esperava e iríamos seguir viagem para outra zona.

Dia 5 – De Pontevedra à Corunha

26 de junho de 2024 – 140 km

O quinto dia foi mais tranquilo em termos de quilómetros. Saímos de Pontevedra em direção à Corunha, num dia pacífico, ideal para recuperar um pouco do cansaço acumulado dos dias anteriores.

Pelo caminho parámos para almoçar num restaurante cujo nome já não nos lembramos, mas da comida lembramo-nos perfeitamente. Comemos vieiras incríveis, acompanhadas por pimientos Padrón e croquetas que estavam mesmo muito boas. Foi daqueles almoços simples, mas que ficam na memória pela qualidade e sabor.

Já na Corunha, ficámos hospedados num Airbnb muito acolhedor, onde nos sentimos logo em casa. Aproveitámos para ir fazer algumas compras para os pequenos almoços e também para refeições futuras, o que nos deu algum descanso nos dias seguintes.

Durante a tarde fomos visitar o Museu Militar da Corunha, que achámos bastante interessante. O espaço está bem organizado, com exposições variadas que ajudam a perceber melhor a história militar da região e do país. É uma visita que aconselhamos, mesmo a quem não seja particularmente fã do tema.

Ao final do dia, apesar de ter sido um dia calmo, o cansaço já se fazia sentir. Acabámos por jantar qualquer coisa por casa e descansar, preparando-nos para os dias seguintes da viagem.

Dia 6 – Finisterra e volta pela Corunha

27 de junho de 2024 – 290 km

Este foi um daqueles dias que começaram com dúvidas. Estava um frio horrível e, durante os primeiros quilómetros, ainda nos arrependemos de ter decidido seguir viagem. O que nos salvou foram os bancos aquecidos da nossa mota. No fim, acabou por valer muito a pena.

O principal destino do dia foi Finisterra, um lugar carregado de simbolismo e com uma energia muito própria. Conhecido como o “fim do mundo”, é um daqueles sítios onde apetece parar, olhar para o mar e simplesmente apreciar o momento. A paisagem é impressionante, com o oceano a perder de vista, e percebe-se facilmente porque é um ponto tão especial para quem ali chega, seja de mota, a pé ou no final do Caminho de Santiago.

Aproveitámos para fazer um piquenique por lá, bem simples, mas com uma vista que compensava tudo. Mais à frente, já a meio do caminho e ainda com fome, acabámos por parar numa tasca para comer pulpo à galega, que nos soube pela vida. Foi daquelas paragens inesperadas que acabam por se tornar das melhores do dia.

De regresso, aproveitámos para visitar a cidade da Corunha. Andámos um pouco pela cidade e passámos pelo porto da Corunha, uma zona interessante e com bastante movimento, que nos permitiu ver outra faceta da cidade.

Para jantar escolhemos o Umi Sushi, onde comemos muito bem. O sushi era de ótima qualidade e foi uma excelente forma de terminar o dia.

Apesar do frio e dos muitos quilómetros, foi um dia mesmo muito bem passado, daqueles que no final nos fazem esquecer qualquer arrependimento inicial.

Dia 7 – Dia de descanso

28 de junho de 2024

Depois de vários dias intensos e muitos quilómetros feitos, este foi o nosso merecido dia de descanso. Aproveitámos para dormir até mais tarde, sem despertadores nem pressas, algo que já começava a fazer falta.

Fizemos o almoço em casa e passámos a tarde de forma tranquila, a passear, a visitar algumas lojas e, claro, a espreitar motos e material relacionado, coisa que nunca falta numa viagem destas.

Ao final do dia acabámos por jantar no shopping, numa refeição simples, mas prática, perfeita para um dia sem grandes planos e dedicado apenas a descansar e recarregar energias para o último dia da viagem.

Dia 8 – Regresso a casa

29 de junho de 2024 – 245 km

O último dia da viagem foi dedicado ao regresso a casa, de volta a Chaves. Sinceramente, foi uma viagem bastante chata. Estava imenso frio e o cansaço já se acumulava, o que tornou os quilómetros finais mais pesados.

Ainda assim, a vontade de chegar a casa era enorme e isso ajudou a aguentar o percurso. No final, chegámos cansados, mas satisfeitos, com a sensação boa de quem viveu uma viagem intensa e cheia de momentos que vão ficar na memória.

Conclusão

Esta viagem pelo norte de Espanha foi, sem dúvida, uma experiência inesquecível. Entre estradas sinuosas, paisagens de cortar a respiração, cidades históricas e pequenas vilas cheias de charme, cada dia trouxe algo novo para descobrir e apreciar.

Aprendemos a valorizar ainda mais os momentos simples: um piquenique com vista para o mar, um jantar improvisado em casa depois de um dia longo, ou simplesmente passear pelas ruas de uma vila cheia de história. A nossa mota, a KTM, foi companheira de aventuras, sempre pronta para nos levar a cada canto, mesmo nos dias mais frios.

Mais do que os quilómetros percorridos, guardaremos as memórias e as experiências vividas. A Galiza mostrou-se generosa, com a sua natureza, cultura e gastronomia, e deixou-nos a vontade de voltar. Se há uma coisa que esta viagem nos ensinou, é que às vezes vale a pena abrandar, aproveitar o caminho e deixar que a estrada nos leve sem pressa.

No fim, regressar a casa foi apenas o encerramento de uma aventura que ficará sempre conosco.

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